Equipe Unishop

12 fevereiro, 2026

Piscinas seguras em 2026: por que tratamento profissional é questão de saúde

Categorias / Banner, Post

Altas temperaturas, clubes cheios, academias lotadas e condomínios com uso intenso das áreas de lazer. O verão devolve a piscina ao centro da rotina de milhares de brasileiros  e, junto com ele, volta um tema que costuma aparecer só quando algo dá errado: a segurança no tratamento da água. 

Acidentes recentes envolvendo produtos químicos em áreas de piscina reacenderam o alerta entre especialistas. O consenso de que tratar piscina não é tarefa amadora,  mas sim assunto de saúde pública vem de maneira tão simples quanto dura ao mesmo tempo.

É o que afirma Welson Miranda, piscinólogo e especialista da Rede Unishop, maior rede de lojas de limpeza profissional do país. Ele traz à discussão a importância de usar produtos com registro, seguir as normas técnicas e capacitar, de forma contínua, quem aplica e orienta o uso desses químicos. “A gente mexe com água onde famílias inteiras entram, crianças passam horas, idosos fazem hidroginástica, jovens praticam esportes. Não dá para encarar isso como algo improvisado. Falamos de saúde das pessoas e da nossa própria saúde ao manusear produtos”, afirma Welson.


Tratamento de piscina é tema técnico, não improviso

 

A água de piscina é classificada como água de uso coletivo e, por isso, está sujeita a regras de qualidade, controle microbiológico e limites de substâncias químicas. Normas como a RDC nº 274, da Anvisa, e parâmetros técnicos definidos por estados e municípios estabelecem faixas seguras para cloro livre, pH e outros indicadores que precisam ser monitorados com frequência.

Por trás desses números existe uma realidade concreta: se o tratamento é malfeito, a piscina pode se transformar em fonte de irritações de pele e olhos, crises respiratórias, infecções e, em casos extremos, quadros graves de intoxicação. Segundo Welson, misturas inadequadas, dosagens fora do recomendado e aplicação em locais fechados ou sem ventilação adequada podem liberar gases tóxicos, especialmente quando produtos à base de cloro são manipulados de forma errada.

“Um dos erros mais comuns é a mistura de produtos incompatíveis, muitas vezes dentro de baldes reaproveitados, na borda da piscina, sem qualquer critério”, explica o especialista da Unishop. Ele completa: “determinadas combinações podem gerar reação química violenta, liberar gases tóxicos que causam irritação respiratória severa. Não é exagero, é química básica. Por isso, insistimos tanto em orientação e em respeito às fichas técnicas”, ressalta.

Miranda reforça que situações de risco nem sempre começam com grandes estruturas. “Às vezes o problema está em detalhes como baldes empilhados, restos de produto misturados sem querer, falta de ventilação no local onde o químico é diluído. Quando falamos de cloro, principalmente em concentrações altas, todo cuidado é pouco”, diz.

 

Produtos com registro e nota fiscal não são “detalhe burocrático”

Outro ponto crítico levantado pelos especialistas é o uso de produtos sem registro ou sem procedência clara. Segundo dados de estudos sobre intoxicações por saneantes domésticos no Brasil, parte importante dos acidentes envolve produtos manipulados de forma inadequada ou adquiridos sem orientação profissional.

Na prática, isso significa que academias, condomínios, clubes e casas com piscina que optam por comprar “o que estiver mais barato”, em qualquer canal, assumem riscos desnecessários. Fórmulas instáveis, rótulos incompletos, ausência de instruções de segurança e falta de suporte técnico podem comprometer tanto a eficácia do tratamento quanto a segurança de quem usa e de quem aplica o produto.

“Produto com registro, ficha técnica clara e nota fiscal não é luxo, é proteção”, reforça Welson. “Quando um tratador usa uma linha com respaldo, ele sabe a concentração, sabe como diluir, sabe o que pode e o que não pode misturar. Se der qualquer problema, existe um fabricante responsável, um SAC, um manual. No mercado paralelo, isso some e quem paga a conta, em caso de acidente, é sempre a pessoa física ou o estabelecimento”, esclarece.

 

Profissionalizar o tratador: da “ajuda do porteiro” ao piscineiro capacitado

 

Welson conta que em muitas estruturas, especialmente em condomínios, ainda é comum ver funcionários de portaria, manutenção ou limpeza assumindo, de forma improvisada, a função de “cuidar da piscina”. Sem treinamento específico, esses profissionais acabam replicando práticas informais, como jogar cloro diretamente na água em horários de uso, misturar produtos diferentes no mesmo balde ou armazenar químicos em locais inadequados.

Para o piscinólogo, esse é um dos pontos mais sensíveis do segmento: “nosso setor ainda é amador em muitos casos. A pessoa que cuida da piscina muitas vezes não tem carteira assinada como piscineiro, não passou por treinamento prático presencial, não conhece incompatibilidades químicas. E, mesmo assim, é quem está ali, diariamente, mexendo com produtos que podem fazer muito bem quando usados corretamente, mas também podem fazer muito mal quando aplicados sem conhecimento”. 

Segundo ele, a profissionalização precisa caminhar em três frentes: formação técnica de quem trata a água, orientação de quem vende os produtos e conscientização de gestores e moradores sobre a importância de exigir procedimentos seguros. “Não é só a borda da piscina que a gente cuida. Cuidamos da estrutura da água, da estrutura física da piscina e, principalmente, da estrutura de quem entra nela. Isso envolve responsabilidade de todos”, resume.

 

Boas práticas que evitam acidentes (e não podem ser ignoradas)

 

Embora cada fabricante traga orientações específicas nos rótulos e fichas de segurança, algumas recomendações são consideradas consenso entre especialistas em tratamento de piscinas. Uma delas é usar sempre EPIs ao manusear produtos (luvas, óculos, máscara conforme o caso). Outras são nunca misturar produtos diferentes no mesmo recipiente, evitar manipular químicos em ambientes fechados ou sem ventilação e nunca dosar cloro diretamente em áreas de grande circulação de pessoas.

Uma orientação muito importante também é respeitar o tempo de reentrada na piscina após a aplicação de produtos, especialmente desinfetantes e oxidantes mais fortes. Em linhas gerais, protocolos de segurança recomendam que a piscina seja interditada por um período mínimo após a dosagem, que pode variar conforme o tipo de produto e a concentração utilizada, garantindo que o cloro livre e outros parâmetros retornem à faixa segura antes da liberação para uso.

“Tratar piscina não é só jogar cloro e abrir a catraca. Envolve medir parâmetros, registrar o que foi feito, controlar estoque de produtos, armazenar direito e, principalmente, ter disciplina com os horários de aplicação”, explica Welson. “Quando o tratador entende que cada etapa tem motivo, ele deixa de fazer por costume e passa a fazer por método.”

 

O papel dos fabricantes e das redes especializadas

 

Se de um lado está o profissional da ponta, do outro estão fabricantes e redes de distribuição que podem (e devem)  assumir protagonismo na formação e no acompanhamento desse público. Nos últimos anos, redes especializadas em limpeza profissional têm ampliado a oferta de workshops, treinamentos práticos e materiais educativos voltados a tratadores de piscina, síndicos e gestores de clubes e academias.

A Unishop, um dos maiores e mais bem sucedidos exemplos, tem utilizado suas lojas como pontos de difusão de conhecimento técnico para o segmento de piscinas, com ações que vão além da venda de produtos. Workshops presenciais, demonstrações práticas, materiais de apoio e suporte contínuo de especialistas fazem parte do pacote. 

“Quando a gente prepara o tratador para usar bem um produto, todo mundo ganha. Desde o usuário, que tem mais segurança, ao lojista, que fideliza, e o fabricante, que vê o produto performar como foi projetado”, pontua Welson.

Ele destaca que a demanda por orientação tem crescido bastante. “Cada vez mais síndicos, gestores de academias e donos de clubes nos procuram com dúvidas muito objetivas: qual produto usar em cada situação, o que não misturar, como ajustar o pH, quanto tempo deixar a piscina fechada depois do tratamento. Isso mostra que existe um movimento positivo de profissionalização, mas ainda há um caminho longo a percorrer”, afirma.

 

Segurança como oportunidade de negócio, não como obstáculo

 

Além do impacto direto na saúde, a adoção de boas práticas de tratamento de piscina também tem reflexos econômicos. De acordo com Welson, estabelecimentos que investem em treinamento, produtos certificados e rotinas bem definidas tendem a reduzir desperdícios, otimizar dosagens, evitar reformas por danos em revestimentos e, principalmente, diminuir o risco de processos e ações judiciais decorrentes de acidentes evitáveis.

Para o lojista especializado, esse cenário também abre espaço para posicionar-se como consultor, e não apenas como ponto de venda. Ao orientar corretamente o cliente sobre como investir em uma linha segura, evitar mistura de químicos e estruturar rotinas de tratamento, ele agrega valor à venda, amplia o relacionamento e, naturalmente, movimenta um mercado que ainda tem enorme espaço de crescimento.

“O profissional que entende segurança como parte do pacote de serviço não perde venda, ele ganha relevância”, reforça Welson. O especialista reforça que “piscina bem tratada é água limpa, transparente e, principalmente, segura, e que isso depende de produto certo, mas depende sobretudo de gente bem orientada”.

No fim, o piscinólogo da Unishop reafirma que a mensagem que fica é a de que em um país onde o verão é longo, as temperaturas tropicais e o uso de piscinas faz parte do cotidiano de milhões de pessoas, tratar a água com seriedade não é opcional. “Isso é responsabilidade compartilhada entre quem fabrica, quem vende, quem aplica e quem gerencia os espaços. E, nesse cenário, capacitação contínua, respeito às normas e uso de produtos com selo e procedência são as principais barreiras entre um dia comum de lazer e um acidente que jamais deveria acontecer”, conclui.